Você sabe o que é SPAC (special purpose acquisition company)?

Antes de explicarmos o que são as SPAC’s, vamos trazer um dado para chamar sua atenção para esse tipo de movimento de captação de recursos e investimentos, que não é novo, mas está ganhando enorme popularidade nos Estados Unidos. 

A abertura de capital de SPAC’s (SPAC IPO’s) levantou, em 2020, 44% do total de capital levantado em IPO’s no período e, em número de captações, correspondeu a 47% do total, com 143 IPO’s nos EUA. 

Ou seja, metade dos IPO’s e do capital neles levantado nos EUA, em 2020, se deu em SPAC IPO’s – segundo o portal https://www.spacanalytics.com/

Impressionante. Mas, então, o que é afinal SPAC?

Uma SPAC (Special Purpose Acquisiton Company, em inglês) é uma empresa, normalmente uma holding (empresa de participações societárias), constituída, essencialmente, com a finalidade de levantar fundos, via IPO, para aquisição futura de outra empresa – ainda desconhecida. 

Apelidadas de “cheque em branco” no mercado americano, as SPAC’s levantam capital, via abertura em bolsa, sem que haja uma operação por trás, mas somente um grupo de pessoas que levantam recursos para adquirir outra companhia.

Mas como isso é possível? 

Normalmente, pessoas conhecidas por seu histórico empreendedor atuam como embaixadores das SPAC’s para que os investidores no IPO confiem no “projeto”. Em resumo, os investidores na abertura de capital acreditam na capacidade daquele grupo de pessoas e na figura do embaixador para, após levantar fundos, encontrar uma empresa para ser adquirida. 

Usualmente, a figura do embaixador, personalidade com reconhecida expertise no mercado, é essencial para que a abertura de capital da SPAC seja promissora e, ainda que não haja definição da empresa a ser adquirida, há um prazo de 2 anos para que seja feita a aquisição. Além disso, o capital levantado no IPO fica inacessível em uma conta garantia (escrow account), somente sendo liberado quando da aquisição. 

E quais as vantagens nesse modelo. A lógica é que a captação, via IPO, é capaz de movimentar um volume grande de capital, via oferta pública registrada, a qual, no entanto, por não haver operação na empresa, se dá de forma mais rápida, menos burocrática e mais barata. Logo, ao invés do caro e demorado trâmite de abertura de capital, depois de a empresa construir toda a jornada até o IPO, faz-se o caminho inverso: capta-se recurso com mais facilidade e confiando-se no grupo de empresários por trás, especialmente do “sponsor“, para daí então adquirir-se uma empresa (target), que ficará sob o guarda-chuva de uma empresa de capital aberto recém constituída. 

Segundo relatório da PWC, um IPO leva mais de um ano em todo seu processo, ao passo que, via SPAC, leva, em média, 3-4 meses. 

Além disso, dentre os benefícios da SPAC podemos citar a estabilidade da abertura de capital, ao contrário do IPO em que os valores podem flutuar e, também, a parceria estratégica com os empresários por trás da SPAC – fonte – cbinsights