Localiza e Unidas – uma gigante da mobilidade com valor de R$ 50 bi

No dia de hoje, Localiza e Unidas, duas das maiores locadoras de veículos do Brasil, anunciaram “fusão” de suas operações. Em termos técnicos, significa dizer que a Localiza incorporou as ações da Unidas, aumentando, assim, seu capital social. As duas empresas, conforme fato relevante publicado ao mercado, se transformarão em uma  Companhia Combinada, com valor de mercado avaliado em 50 bilhões de reais.

A união das empresas resultará em uma frota de quase 500 mil veículos e uma sinergia grande de operação, trazendo ganhos de eficiência para o novo negócio.

Segundo a Localiza, ao anunciar o fato relevante, “a Transação resultará na união de acionistas que são referência e têm longa experiência na indústria, na combinação de talentos para prover soluções inovadoras em mobilidade, na criação de um player com escala global, comprometido com os mais altos níveis de governança e com ambição para prover a melhor experiência do cliente, aumentando o acesso da população e de empresas ao aluguel de carros”.

A transação tem como condicionante do negócio a aprovação dos acionistas das empresas e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que deverá analisar eventual concentração no mercado de aluguel de veículos. 

Além de uma operação de evidentes ganhos de eficiência, o que mais essa união representa? 

Não é novidade que o mercado da mobilidade passa por uma transformação profunda. A Era do possuir está cada mais se alterando para a Era do usar, em que a sociedade altera seu interesse em deter a propriedade de ativos para ter experiências. 

E na mobilidade urbana talvez seja o que mais torna  essa modificação evidente; desde o surgimento do Uber e seus concorrentes, vimos uma alteração na utilização dos veículos, especialmente em grandes cidades. 

Além disso, modelos de negócio de assinatura e de pay per use (pague pelo uso) surgem aos montes trazendo a experiência aos consumidores, sem a necessidade de aquisição de ativos, que, muitas vezes, ficam ociosos. Um exemplo clássico são os veículos em estacionamentos de prédios comerciais. 

Essa mudança tem impacto profundo no mercado de aluguel de veículos, uma vez que empresas tal qual passaram a ser um player relevante para motoristas de aplicativos, além de oferecer carros para quem, ao optar por não ter veículo, utiliza o serviço para deslocamentos não eventuais, incluindo viagens. 

É certo que essa nova Companhia Combinada, com todos os dados que possui; com a  capilaridade no brasil e com a frota gigante de veículos, tem total capacidade de se tornar cada vez relevante no mercado e adaptada a essa realidade, oferecendo um menu de novos serviços relacionados ao aluguel de veículos – nas mais variadas formas e segmentos B2C e B2B. 

De se considerar, ainda, que a realidade de veículos elétricos e veículos autônomos está cada vez próxima, de forma que um player com tamanho domínio poderá ser o grande viabilizador de novos modelos de oferta de veículos alugados, fomentando a inovação no setor e um movimento de aquisição de startups atuantes no mercado. 

Sempre falamos por aqui que todo ato de concentração de mercado deve ser visto com cautela, para se evitar bloqueio de inovação, mas, nesse caso, considerando a transformação que todo setor de mobilidade vem passando (e vai passar), talvez essa concentração acelere o acesso dos brasileiros a serviços mais adequados à Nova Economia e ajude a democratizar o acesso a novos modais de transporte. 

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