A captação bilionária do C6 – unicórnio ou não?

Se você é ligado como nós no ecossistema de inovação, deve ter ouvido falar da captação bilionária realizada pelo banco digital @C6bank. 

Muita gente, por conta dos números e da falta de mais informações sobre o formato da captação, anunciou o nascimento de mais um unicórnio para nossa coleção.

A captação foi de 1,3 bilhão de reais, elevando, segundo o C6,  seu valor de mercado (valuation) aos questionáveis R$ 11,3 bilhões. 

Não custa lembrar que a classificação mais aceita para uma startup se tornar um unicórnio prevê que ela alcance um valor de mercado de 1 bilhão de dólares antes da abertura de capital na bolsa de valores. 

No entanto, voltando ao caso do C6, ao longo da semana, alguns especialistas trouxeram a debate a questão da captação não ter sido, efetivamente, um investimento, mas sim uma captação de recursos, propriamente dita. Esse fato retiraria, ou melhor, não concederia o título ao C6. 

Segundo a matéria do @BrazilJournal, a captação ocorreu muito mais com cara de financiamento, com possibilidade de conversão, do que de investimento:

“Na verdade, os R $1,3 bilhão captados pelo C6 são uma operação de renda fixa: um instrumento de dívida conversível em ações com prazo de dois anos emitido pela holding Carbon, que controla o banco, e não pelo próprio C6. A operação, estruturada pelo Credit Suisse e vendida a cerca de 40 clientes do private, paga CDI mais 6,5% ao ano, é garantida pela carteira de crédito consignado do C6 e pelas ações do próprio banco por Marcelo Kalim, segundo clientes do Credit Suisse com acesso ao material de vendas.”

Ou seja, no mínimo, uma operação mais parecida com financiamento, lastreado em carteira e potencial de conversão, do que um investimento normal de Venture Capital. 

Além da classificação como unicórnio, o mercado reagiu ao autodeclarado valuation de R$ 11,3 bilhões, que colocaria o C6 muito próximo de seus concorrentes mais antigos e, segundo especialistas, mais bem estabelecidos, Banco Inter e Banco Pan. 

De todo modo, sendo um unicórnio ou não e tendo ou não um valuation de 11 bilhões de reais ou algo próximo disso, é muito bom vermos mais um banco novo, digital e focado na experiência do cliente, ganhando corpo e cada vez mais mercado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja mais insights do slap.LAW